A noite de desespero e pranto foi finalmente foi banida pelo brilho de um novo alvorecer que com sua luz revelaria uma tristeza ainda maior.
Antes mesmo que o sol mostrasse sua face sobre o vale oriental, a jovem viúva juntamente com seus pais caminharam apressados pelos campos rumo às pastagens onde o rebanho pastava naqueles dias.
Com o coração ainda a palpitar esperança, avistaram ao longe o rebanho.
Chamaram ali por Abel, mas suas vozes não trouxeram nenhuma resposta além de um eco vazio.
Seus olhos discerniram então através das lágrimas, as marcas da dor, naquele gramado amassado e coberto de sangue.
Vencidos pela tristeza, seguiram dolorosamente as manchas de sangue, até encontrarem o seu corpo dilacerado, sob aquele capim coberto de moscas.
Diante desta cena de terrível humilhação, ergueram as vozes em gritos de pavor, não suportando a dor da separação.
Ali permaneceram em agonia, até verem o sol tombar em seu mais melancólico entardecer.
Quão dolorosa lhes era o pensamento de terem de regressar para casa, deixando ali o amado Abel a desfazer-se em sua fria noite.
Lembrando de sua infância, quando em seu leito o cobriam com amor, prometendo despertá-lo no alvorecer com um beijo, aqueles pais com um doloroso esforço o cobriram novamente com aquele capim, com a certeza de que no alvorecer do dia eterno o beijariam em seu em seu despertar feliz.
Com dificuldade deixaram finalmente aquele lugar já tomado pela noite e apalparam-se na direção daquelas casas vazias, cujas paredes floridas já não trariam para eles alegria.