Caim tornou-se finalmente em estatura semelhante ao pai.
Trazia na face corada as marcas do sol que tanto amava, e em seus músculos a força que julgava necessária para detê-lo antes de sua partida.
Movido pelos sonhos alimentados desde a infância, preparava-se agora para uma viagem de aventuras:
Desceria ao desconhecido vale e caminharia em direção à casa do sol.
Não sabia por quantos dias se ausentaria de seu lar, mas tinha a certeza de que seria vitorioso em sua missão.
Cheio de entusiasmo, Caim revelou aos seus familiares sua decisão de partir.
Todos ficaram preocupados, e procuraram insistentemente fazê-lo desistir de seu plano.
No vale, disseram-lhe os pais, habitam animais ferozes, sempre prontos a devorar.
Entre risos, Caim procurou convencê-los falando de sua força.
Dizia-lhes que em sua jornada, longe de encontrar derrotas, encontraria o caminho perdido que os conduziria à reconquista do sonho desfeito pelo pecado.
Abel, conhecedor do verdadeiro caminho que leva à vitória, com lágrimas de compaixão procurou detê-lo, falando-lhe do plano da redenção.
Voltando-lhe as costas, Caim saiu contrariado.
Irava-se por não encontrar por parte de sua família, nenhum apoio para sua tão nobre missão.
Adão e Eva, acompanhados por Abel e as duas filhas, com tristeza seguiram-no implorando para ficar, mas ele adiantando-se em seus passos desceu a colina, mergulhando naquela ameaçadora selva que os separava do paraíso.