Inconsciente da tristeza que abatera-se sobre o reino da luz, Adão, ao ver o sol declinar no horizonte, deixou seu trabalho no campo rumando-se para casa.
Tinha um cântico no coração ao caminhar para mais um encontro com os seus.
Ao aproximar-se do altar, viu junto dele sua companheira prostrada em pranto.
O pequeno Caim jazia também ali a chorar.
Tomando-o nos braços, Adão perguntou-lhe com anseio:
O que aconteceu meu filho?
Caim tristemente respondeu:
Mamãe deixou o sol ir embora.
Amparando o filho com seu braço esquerdo, Adão pousou sua mão direita sobre o ombro de Eva, mas não encontrou palavras para consolá-la.
A frase dita por seu filhinho, pareceu rasgar-lhe o coração, fazendo-o reviver a queda.
Depois de refletir, Adão sentindo-se culpado respondeu para Caim:
Foi o papai quem deixou o sol ir embora meu filho!
Com soluços de grande tristeza, Adão uniu-se a eles no pranto.
A lembrança do Salvador, contudo, o consolou.
Enxugando suas lágrimas e as de seu filhinho, disse-lhe com ternura:
Podemos nos alegrar filhinho, pois Deus prometeu fazer o sol para sempre brilhar no céu; ele será como o fogo que surge no altar, banindo as trevas da noite.
Com os olhinhos voltados para o último clarão do arrebol, Caim permaneceu sem consolo.
Naquele entardecer, não houve como de costume um alegre jantar.
A pequena família, entristecida, permaneceu a meditar por longas horas, até sonolentos adormecerem sob a luz das estrelas.