Um novo dia de sol radiante a caminhar pelo céu surgiu para Caim, trazendo em seus raios alegria e calor.
Enquanto brincava no jardim, seus olhinhos curiosos voltavam-se muitas vezes para o sol que parecia acariciá-lo com um sorriso de esperança.
Vendo-o, porém, caminhar em direção do ocidente, o pequeno correu para sua mãe, perguntando-lhe:
Mamãe, ele prometeu ficar?
Eva, tomando-o nos braços, sorriu-lhe procurando fazê-lo compreender com palavras simples, enquanto apontava-lhe o paraíso distante, a história da redenção.
O sol viria um dia para ficar.
Caim, insatisfeito com as palavras da mãe, demonstrou não ter paciência para aguardar esse dia que jazia em distante futuro.
Repetia em pranto:
"Eu quero o sol hoje, amanhã não!"
Eva, pacientemente, procurou acalmar seu filho, falando sobre a luz de Deus, que pode tornar a noite em dia.
Ele o amava e poderia encher seu coraçãozinho de brilho, de alegria e paciência.
Poderia assim, aguardar feliz o dia de seus sonhos.
Balançando a cabecinha em rejeição ao consolo da mãe, Caim proferiu entre soluços:
"Eu quero o sol porque eu posso vê-lo, ao Eterno não".
Como uma seta dolorosa as palavras de rebeldia de Caim penetraram no coração de Eva, fazendo-a chorar amargamente.
Os fiéis em todo o Universo uniram-se nesse pranto.
Uma tristeza infinita pairava sobre o coração do Criador rejeitado.
Esboçavam-se nos gestos de Caim os primeiros passos pelo caminho descendente da rebeldia.
Quantos o seguiriam rumo à morte!